terça-feira, 8 de março de 2011

Back to december

Era uma tarde qualquer de março, eu estava sentada embaixo de uma árvore do parque, lia pela milésima vez O Retrato de Dorian Gray, até que meus olhos notaram o caramanchão que se encontrava alguns metros à frente.

Tentei ignorar ao máximo, mas as lembranças voltavam com toda a força em minha mente. Simplesmente era mais forte que eu.

Em instantes imagens tomaram conta da minha cabeça, não pensava em mais nada a não ser nele, e em tudo o que passamos juntos. Todos os beijos, os abraços e as declarações que trocamos.

Já fazem quatro meses e ainda não entendo o que houve conosco, em um momento dizíamos que nos casaríamos e no outro, no outro nem nos cumprimentávamos mais.

Ah, como eu queria poder voltar para dezembro e fazer tudo diferente.

Dark lady

Os olhos claros contornados por uma grossa camada de maquiagem escura, seu cabelo preto, bem maior do que da última vez que haviam se visto, batia na cintura fina, coberta por um apertado espartilho, também preto.
A garota andava pela rua movimentada de uma maneira tão suave para alguém que usava coturnos tão pesados quanto os dela. A mini-saia xadrez, estilo colegial, balançava de um lado para o outro, no ritmo de seus passos. No pescoço havia uma gargantilha de veludo que, junto com o resto das roupas escuras tornava o contraste com sua pele pálida incrível.
O rapaz ficara parado, em choque, desde o momento em que seus caminhos se cruzaram e ele a reconheceu. Não entendia como alguém que tinha tudo o que qualquer adolescente sonha podia ter virado aquilo. Não entendia como a rainha do baile de primavera podia ter se tornado um zumbi.
Ela havia notado a expressão feita pelo rapaz, e sentiu certa felicidade. Adorava ver a reação dos antigos amigos ao vê-la agora, vê-los tentando entender o que a deixara daquela maneira era, de certa forma, revigorante. E ter a certeza de que nunca conseguiriam ainda mais.
Acendeu um cigarro e sorriu, dando de ombros despreocupadamente, antes de seguir seu caminho. Deixando um garoto atônito e confuso para trás.

The show must go on

Parada de frente para o grande espelho do camarim, com o figurino já vestido, um batom vermelho-sangue, o toque final, repousava na mão direita, ela ouvia a correria dos colegas em terminar os preparativos para a grande estreia.

Ela podia visualizar o que se passava do outro lado da porta. Podia ver Erin discutindo incansavelmente com o Sr. Jones, o diretor, sobre como não entendia como poderia ter sido escalada para um papel pequeno, podia ver Kent cantando todas as mulheres que se encontrassem nos bastidores, podia até sentir a animação misturada com expectativa que pairava sobre a plateia, podia até vê-lo sentado na primeira fileira, desejando-lhe sorte.

Um sorriso triste se abriu em seu rosto, era realmente incrível como a simples lembrança dele a deixava naquele estado bobo, mesmo com todas as mentiras e o sofrimento que lhe causara.

Uma batida na porta a avisou que a peça estava prestes a começar.

Forçando um sorriso alegre, saiu.

Não importa o que acontecesse, o show deveria continuar.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Vírgula, vírgula, vírgula, ponto.















Meu texto mais profundo, ever.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

O drama do sanduíche de atum

-amanhã
-azeitona
-relógio
-canhão
-bromélia
-porta
-retrato
-cristaleira
-alicate
-entretanto
-gato


O drama do sanduíche de atum
Estava na cozinha preparando um sanduíche de atum quando, na hora de finalizar, percebo a falta de um ingrediente indispensável, afinal, atum sem azeitona não é atum. Fico olhando para o sanduíche enquanto tento me decidir se o deixo assim ou se vou ao mercado.

Talvez devesse deixar para amanhã, já que tenho outros compromissos, e comer assim mesmo hoje. Mas, se bem que, eu poderia sentir uma vontade enorme de comer algo que precise de azeitonas. É, talvez seja melhor ir hoje.

Pego o casaco e a bolsa e exatamente quando vou trancar a porta de casa escuto um estrondo. Abro o mais rápido possível e vejo o gato parado no hall com os olhos arregalados. Vou verificando de canto em canto à procura da coisa que havia sido destruída.

Ao chegar na sala uma pequena estante jazia no chão, sobre a pilha de coisas havia um enfeite de canhão, peguei-o e o coloquei dentro da cristaleira, na parede oposta. Vou pegando as coisas do chão, até que pego um porta-retrato, havia uma foto de uma bromélia nele.

Minha visão logo nota um pequeno amassado na parte superior esquerda do mesmo, entretanto não é nada que um alicate não conserte. Talvez.

Coloco-o encima da mesinha disposta ao lado do sofá e olho para o relógio, 16h00min. Quer saber, esqueça o sanduíche. Vou comer bolacha.

Museu

dessa vez quem escolheu as palavras foi minha tia xD
-janela
-guarda-chuva
-pantera cor-de-rosa
-cisne
-abacaxi
-pirâmide
-vidro
-viga
-pinça
-candelabro

Museu

Sábado, 18 de setembro- alguma hora do dia

Meu Deus, faz tanto tempo que não tenho uma folga que já nem tenho ideia do que poderia fazer (passar 5 horas assistindo a maratona com os desenhos da Pantera cor-de-rosa do cartoon network não é uma opção, mesmo). Pensar em coisas para fazer na folga é tão cansativo quando trabalhar!

Enquanto tomava café-da-manhã (suco de laranja e um delicioso abacaxi) ia imaginando milhares de coisas para poder fazer, talvez até descobrir um hobby!

Empolgada, começo a olhar pela cozinha em busca de pistas. Talvez eu possa ir pescar, passar um quilo de arroz de um pote para outro usando uma pinça, ou então ir fazer um pic nic no parque, ah! Aquela loja que acabou de abrir ao lado do escritório e que ainda não tive tempo para ir, tem uma fachada tão linda, toda rosa e decorada e todas as pessoas que saem de lá, mesmo sem sacola estão com uma cara que poderia ser interpretada como “Sou glamurosa!”.

E então eu lembro que aquela loja era do lado oposto da cidade (e não, não é uma cidade pequena) e pelo céu parecia que logo iria chover.

Olho através da janela e então uma luz ilumina minha mente: O museu, logo na rua seguinte, o que poderia ser mais interessante do que apreciar coisas lindas e aprender história? Nada! É juntar o útil ao agradável!

Coloco um pequeno guarda-chuva dentro da bolsa, só por precaução, e sigo pela rua até ver a pirâmide enfeitando a frente museu (não é o Louvre, é apenas uma cópia sem vergonha).

Entro triunfante pela grande porta de vidro e, olho maravilhada as várias vigas espelhadas pelo local, todas com detalhes em baixo relevo. No teto um candelabro dourado combinando com toda a decoração do museu. Vou caminhando enquanto olho os vários objetos até que meu olhar pousa possessivamente sobre um em especial, um lindo cisne de porcelana chinesa de algum século que eu não me lembro qual é.
Meu coração acelera e a única coisa que consigo pensar é “Eu preciso disso!”. Por acaso será que o museu não aceitaria trocar essa peça por uma bolsa Gucci de edição limitada?!

sábado, 7 de agosto de 2010

Perfume

palavras escolhidas pela Bia

- O Gato Felix
-coração
-odiar
-alguém
-perfume
-ruim
-mente
-ano
-taxi amarelo
-barato


Perfume
Coração acelerado, a mente trabalhando à mil.
Andando pelas ruas de Nova York à procura de um taxi (amarelo, claro!). Esperei por um tempo, será que não poderia passar alguém com um taxi por aqui!? Acho que de camelo eu vou mais rápido! Será que os taxistas desta cidade não entendem que as pessoas tem pressa e... Ah, que bom, apareceu um.

Fui para casa o mais rápido o possível, eu precisava abri-lo logo! Chegando ao apartamento, joguei as coisas de lado e peguei a pequena sacola em tons de rosa. Tirei o perfume de dentro e coloquei na mesa com o mesmo cuidado de um cirurgião ao fazer um transplante. Como que seguindo um ritual o apertei, deixando o primeiro jato de perfume se espalhar pelo ambiente e foi então que eu percebi o quanto o cheiro era ruim. Bem, isso explicaria como foi barato.

Desiludida, corri para pegar o bom e velho “Bom-Ar”, sentei-me no sofá e liguei a TV. Ótimo, em toda a TV a cabo a única coisa descente que estava passando era O Gato Felix (e não dá pra considerá-lo um desenho tão bom, ele tira o próprio rabo, caramba!).
Esse vai realmente ser um ano de odiar.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Fantasia

Ontem achei em um blog uma ideia pra escrever textos muito perfeita, e hoje eu resolvi testar, pedi pra minha amiga (heey nahty, olha você aqui xD) escrever 10 palavras qualquer e eu teria que escrever um texto com elas...Só não sei se ficou bom .-.

-Amor
-musica
-chocolate
-esmalte
-cabelo
-sol
-matemática
-caneta
-vestido
-cozinha


Fantasia
O sol entra através da janela, o canto das aves se tornando uma doce música (quase tão doce quanto um chocolate). Paro de descascar o esmalte e coloco a caneta que segurava de volta ao lado do livro aberto à minha frente, levanto-me e, tomada pela leveza do som, começo a dançar. No começo balançando o corpo timidamente para, depois de algum tempo, já estar indo de cômodo em cômodo da casa (não, eu não estava drogada, a não ser que o amor seja considerado droga. E bem, talvez seja).
Solto meu rabo-de-cavalo, deixando o cabelo balançar com os meus movimentos, junto com o vestido florido que usava.
Paro na cozinha, já são 17h00min e ainda não estudei... Mas quem precisa de matemática?!
P.S: por que essa porcaria não dá o enter certo entre os parágrafos!?

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

informação que, provavelmente, ninguem se importa...só eu .-.

O blog tá se negando a colocar espaço entre os paragrafos, vou surtar daqui a pouco X.x

Poesia do duende

Então, encontrei essa poesia perdida nas notas do celular e resolvi postar, tenho quase certeza de que escrevi com alguem, não me lembro (x.x) se lembrar eu dou os devidos créditos XD
Era uma vez um duende
Que estava doente,
Estava bravo por seu parente
Em norueguês ser fluente.

Em um terrível dia quente
Enquanto tentava seguir em frente
Acabou tropeçando em uma corrente
E caindo encima de seu concorrente.

Foi considerado um demente
Foi preso e comia só semente.
Um dia, porém, acabou quebrando o dente.

Borboletas no estômago

Ahá, post idoso e horrivel, não entendo como me convenceram a postar .-.
-*-
Deitada em sua cama olhava a lua pela janela semi-coberta por uma fina cortina branca.
Pensava em todos os momentos que tivera com ele. Não haviam sido muitos, mas também não haviam sido poucos.
Agora ela sorria ao se lembrar dos passeios na praia, dos pic nics no parque, de quando ele a levou para andar de barco, os jantares à luz de velas, a vez em que passaram quase a noite inteira olhando a lua e as estrelas, cada abraço e cada beijo dado.
Tudo isso a fazia implorar para que acordasse nos braços dele e descobrisse que tudo aquilo não passara de um pesadelo terrível. Mas ela sabia o quanto ele era orgulhoso, e ela admitia que também era.
“É isso” Pensou deixando uma lagrima quente escorrer por seu rosto “Esse é o fim.”
Não podia acreditar que tudo havia acabado por um motivo tão bobo, e que o que demorou tanto para começar simplesmente acabou em questão de minutos.
Ela sentia como se houvesse levado socos no estomago, e onde antes haviam borboletas parecia haver tijolos agora.
Agora restavam apenas as lembranças.
Lembranças doces e amargas ao mesmo tempo.
Ela foi tirada de seus pensamentos ao ouvir um barulho semelhante a pequenas pedrinhas batendo em sua janela.
Quando se levantou e olhou por ela teve uma grande surpresa.
Ele estava parado olhando para ela, e em sua mão havia um papelão com alguma coisa escrita.
Ela não conseguia ler direito, mas parecia um pedido de desculpas, não tinha certeza.
Teve certeza quando ele chegou mais perto da luz e pode ler melhor as palavras ali escritas: “Você me perdoa!?”
Os tijolos haviam voltado a ser belas borboletas e o céu parecia ainda mais brilhante e bonito do que antes.
Ela o olho e deu um grande sorriso que logo foi retribuído.
-E então?!- Gritou ele- Você me perdoa?!
-O que você acha!?- Respondeu e logo depois começou a ir em direção a porta, para finalmente tê-lo de volta.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

O armário

Meus pensamentos iam e vinham a mil enquanto todo o resto do mundo parecia que tinha sido congelado. Ele continuava parado na minha frente à espera de que eu lhe dissesse o motivo de tê-lo chamado ali, no armário do zelador. Eu continuava tentando criar coragem para dizer e, ao mesmo tempo, tentava recuperar o controle do meu corpo que parecia não responder aos comandos de meu cérebro.

Mas esse silencio incômodo não durou muito, porque, logo em seguida, ocorreu o momento mais feliz e confuso e lindo e sei-lá-mais-o-que da minha vida. Ele simplesmente se curvou e me beijou. Sim, ele me beijou.

- James- Sussurrei.

-Shhhhh- Foi sua única resposta (se é que podemos chamar assim) enquanto ele se apressava em acabar com o espaço que havia entre nós e voltava a me beijar.

Pinguins são malignos

Histórinha escrota escrita no meio das férias de janeiro em um momento tedioso...

-Pinguins são malignos- Marie dizia enquanto encarava o tanque onde pinguins fofos nadavam.

- Marie, o que pode ter de maligno em pinguins?- Perguntei esperando uma resposta totalmente sem sentido- Olhe aquele ali nadando em círculos! Nunca que uma coisinha tão fofa assim vai ser maligna!

- Isso é o que eles querem que você pense...

-Eles quem?

-ELES!- Disse ela com um movimento de cabeça.

Tá legal, acho que ela abusou um pouquinho nos doces.

- Você comeu marshmallow hoje?- Olhei para ela como se fosse um detetive interrogando um acusado- Todo mundo sabe que quando você come muito doce começa a ter idéias estranhas, quer dizer, bem mais idéias estranhas do que o normal.

Silencio.

-Marie!- praticamente gritei- Assuma logo que você comeu marshmallow demais e vamos embora!

- Eu já pensava que eles eram malignos antes de comer marshmallow...

- Você devia procurar um médico, já está deixando as pessoas com med...- Fui interrompida quando um jato de água suja(pelo menos eu acho que a água do tanque dos pinguins seja suja) acertou meu rosto. Logo seguido que um barulho que se assemelhava a uma risada.

– O pinguim riu de mim!?

- Eu disse. Pinguins são malignos!- Respondeu ela com ar superior.

-É. Talvez devêssemos dar mais créditos às suas palavras...