O vento batia forte contra o pequeno corpo parado na beira do píer, bagunçava seu cabelo loiro e levantava a barra de seu vestido cor-de-rosa insistentemente, como se quisessem expulsar a pequena figura. Mas a garota não parecia se importar, nem com o cabelo bagunçado ou com o resfriado que o frio poderia lhe causar, não, era até bom que o vento estivesse tão forte, principalmente contra seus olhos, seria uma ótima desculpa caso algum conhecido a parasse para perguntar sobre suas lágrimas.
Não sabia o que a levara até ali, ou talvez o por quê de estar ali, afinal, no começo não era nada de mais, ela apenas o achava atraente, não fazia ideia de como aquele sentimento poderia ter crescido tanto em tão pouco tempo e nem como não o havia notado. Tudo bem ela admitia que pensava cada vez mais naquele assunto, mas apenas porque ele dava a entender que seus sentimentos eram recíprocos.
Idiota, era isso o que ela era, uma idiota por ter acreditado nele, também era idiota por ter pensado que com ela seria diferente ou que ela poderia mudá-lo, era idiota por aceitar os conselhos das pessoas erradas e segui-los.
O que faria agora? Iria fingir que nada havia acontecido entre eles e continuar a amizade? Ignorá-lo? Continuar a se iludir? Não sabia, apenas sabia que tinha que tomar alguma atitude. Não importava qual, se seria pensada ou não, se usaria a razão ou a emoção. Apenas faria algo.
E realmente fez.
Olhou uma ultima vez para o sol que se punha no horizonte, olhar para o sol sempre a deixava calma, nunca soube o por quê, mas alguma coisa nele a reconfortava nos momentos mais difíceis, principalmente no pôr-do-sol, quando era menor achava que todo dia, no fim da tarde o mar engolia o grande astro, o guardando até a manhã seguinte. Obviamente sabia da verdade, mas sempre achou que o mar guardando o Sol era bem mais divertido.
Virou-se e começou a ir em direção do caminho que a levaria à sua casa. Já estava quase na metade quando parou repentinamente, havia tido uma ideia que a faria esquecer a dor que sentia e todos os tristes acontecimentos que a haviam feito ir para lá. Virou-se e colocou-se a correr de volta para a ponta do píer e então pulou.
Sentiu o peso do vestido puxando o corpo frágil para baixo e apenas fechou os olhos, logo tudo estaria esquecido. Logo estaria “junto ao Sol”, quer dizer, pelo menos até a manhã seguinte.
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